

A assinatura do tratado de adesão, às então designadas Comunidades Europeias (Comunidade Económica Europeia, Comunidade Europeia da Energia Atómica e Comunidade Europeia do Carvão e do Aço), ocorreu a 12 de junho de 1985, por Mário Soares, Primeiro-Ministro de Portugal, e Felipe González, Presidente do Governo de Espanha. Desde o pedido de adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, até à assinatura do Tratado, em 1985, decorreram oito anos de negociações integrando pareceres, acordos e declarações. Em 2025 e 2026, a campanha 40 Anos|Años Europa, promoverá a reflexão e celebração transfronteiriças, no espaço da Eurorregião Alentejo Algarve Andaluzia (EUROAAA), da efeméride e do caminho percorrido. José Mendes Bota, Isaías Rodríguez, Vítor Guerreiro, Aquiles Marreiros, José Maria Grilo, Carillo Alcalá; Margarita Domínguez Cordero, Elsa Cordeiro, Enrique Millo Rocher, Filomena Sintra, Alberto Fernández e José Apolinário foram alguns dos intervenientes nos painéis. A cooperação transfronteiriça também esteve em destaque, como não poderia deixar de ser. Uma cooperação entre Portugal e Espanha que conta já com 30 anos de existência.
Mas ao longo dos últimos 40 anos, Portugal e Espanha transformaram-se e beneficiaram da base solidária que tem visto o seu número de membros crescer [atualmente são 27 Estados-membros], sendo este um crescimento premente e desafiador. Chegam sempre novos membros que precisam de convergir ainda mais. Mas, no debate de dia 12 de Junho também se debateu sobre até quando teremos fundos estruturais de apoio? Ou, com outro paradigma (bem diferente) no horizonte, até quando precisaremos desses fundos? De que modo uma União de países consegue promover uma União das Regiões, mantendo os programas regionais ativos e robustos como os decisores políticos regionais reclamam? O Alentejo, o Algarve e a Andaluzia debatem-se com problemas muito semelhantes. Atualmente, as questões demográficas e habitacionais têm um peso enorme nas dificuldades e na criatividade para aplicação dos fundos. A pobreza é, também ela, democrática e não poupa lugares. O exemplo da região do Algarve é gritante: para efeitos estatísticos europeus, face ao que produz, é considerada uma região rica, mas na verdade enfrenta ao nível nacional a dura realidade de ter o nível de pobreza acima da média portuguesa. No que diz respeito ao Ambiente, são precisa de decisões acertadas que não comprometam gerações. Mas a instabilidade política e social do mundo engole a União Europeia também. Tantas frentes e o tempo foge entre os dedos. Será a UE capaz de se adaptar? Haverá a solidariedade em doses necessárias numa altura em que a Paz é colocada em causa? É preciso haver um enorme entendimento numa época em que as divisões são capazes de esmagar. Aos menos entendidos na matéria é preciso explicar como quem conta algo muito precioso e importante. É preciso dar espaço aos críticos e levá-los a demonstrarem como a UE pode ser outro lugar, desde logo no que ao espaço económico diz respeito. Ainda assim, apesar das dificuldades este casamento a 27 consegue ser a maior prova de amor que conhecemos. Um divórcio seria amputar o futuro de quem sonhou com a melhor das intenções.







