A guerra civil interior sobre a dor da Humanidade

12 Maio 2025

Não consigo saber, com a certeza que me escapa e que me lança numa guerra civil interior sem tréguas à vista, se estamos a viver «um dos momentos mais difíceis da Humanidade», pois não consigo reduzir, ao que eu possa ler, ver ou sentir, nos dias que correm, um Tempo longo, ignorando a escala do que é a Humanidade. Neste contexto, o Espaço - o de todos nós - apenas consegue ser um medidor amputado de outros Espaços. Posso sempre comparar, relativizar, contudo não me consigo colocar no lugar do que era o outro Espaço da Humanidade. Por mais que queira, eu não consigo saber quando é que doeu mais. Antes ou agora? Não me consigo limitar, embora desejasse consegui-lo. Seria mais fácil, possivelmente. Ao mesmo tempo penso que se trata de uma defesa da minha parte para crer que vamos conseguir aguentar e, melhor do que isso, vamos conseguir superar o que estamos a viver numa altura - entre o nosso Espaço e o nosso Tempo - em que uns parecem ser mais Seres Humanos do que outros... Prefiro crer que fomos programados para isso; para aguentar e superar. Que conseguimos tolerar esta dor que agora nos chega, certamente, com mais amortecedores do que chegava aos outros que vieram antes de nós. Oiço informações de carne viva sobre as guerras cujo espaço-notícia nos é mais acessível. E penso imediatamente nas outras guerras que também estão a acontecer e sobre as quais não temos qualquer eco do sofrimento e das mortes. Nem da carne viva, em tortura até ao Fim. Estará nessas guerras, que não consigo ver, a maior dimensão da dor? A maior dimensão de sempre? As manifestações de racismo, de ódio e de desamor à liberdade, desfazem-me nos pedaços incongruentes de mim, mas surge-me na memória os livros que li e os documentários que vi. Era cruel, muito cruel. Inimaginável, diria. Poderá (mais uma vez...) ter sido mais cruel do que agora? Esta minha representação do grito anterior posso entendê-la também como uma esperança no ser humano, acreditando que hoje é um ser melhor composto do que antes. Certamente, estaremos apetrechados com equipamentos de segurança que permitem travar no limite os piores ímpetos. As ameaças à Democracia são uma provação sobre a qual parece que temos de passar; mas agora com maior capacidade de resposta que deverá ser pronta e aniquiladora e que nos permitirá repor a verdade e colocar em cena o futuro que, simultaneamente, já é o nosso passado. Um passado de todos nós; mesmo daqueles que causam as dores e estão a zeros de amores. A dúvida subsiste quando procuramos a resposta acerca da forma mais sensata de «chamar à razão» quem parece estar a deixar-se ceder sem memória sobre a Humanidade. Como é que não se entende por boa a velocidade e a desenvoltura da máxima do «Bem Comum»; e se toma, ao contrário disso, como «Bem Comum» o que se esgueira no beco da intolerância onde a saída é refém maior? Quais serão os mecanismos mais eficazes para desmontar a construção da desumanidade? Sendo verdade que num momento e noutro sentimo-nos uma peça a menos deste puzzle que ganhou o seu Tempo e o seu Espaço como se de uma roleta russa se tratasse.

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